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comportamento

Tabuleiro Corporativo

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Palmas!

“Nada muda se você não mudar”.

Recebi esta frase de um ex-gerente com o qual trabalhei durante um ano, após “reclamar” da situação profissional que me encontrava, em parte por ter acreditado nele e na minha capacidade de realizar minhas tarefas com zelo e profissionalismo extremos. Apenas isso não basta e ele tinha toda a razão. Com o passar dos anos de trabalho a experiência adquirida deve retroalimentar mudanças de postura quando nos deparamos com situações as quais não podemos ser protagonistas da mudança. Atualmente, chamam isso de resiliência, termo este emprestado da física, que caracteriza os indivíduos pela sua capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, etc. – sem entrar em surto psicológico. No entanto, Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto de tomada de decisão entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer.

Confesso que em principio fiquei muito irritado com o conselho desse meu ex-gerente, mas hoje percebo que ele em muito me ajudou a mudar a minha forma de encarar as adversidades que surgiram e vão continuar a surgir na minha vida profissional. Mesmo me considerando um profissional com experiência e em vésperas de completar 32 anos de trabalho, hoje eu sei que nunca é tarde para mudarmos os nossos conceitos sem, contudo, perder a nossa essência e os valores éticos e profissionais que adquirimos ao longo dos anos, sobretudo pautados na nossa origem familiar.

Um grande erro que todos nós cometemos é o da miopia corporativa. A miopia se caracteriza pela dificuldade em enxergar os objetos colocados à distância. Profissionalmente associamos essa “miopia” pela dificuldade de enxergar aquilo que não está ao alcance do papel que desempenhamos na estrutura organizacional. Traduzindo isso para uma linguagem mais palatável seria algo como não enxergar o que está por detrás das cortinas do poder. Cada um de nós é uma peça que move uma grande engrenagem corporativa. Disso temos que ter a consciência. Num grande tabuleiro de xadrez quem é sacrificado em primeiro lugar? Respondeu certo quem disse que são os peões. Eu, particularmente, não conheço nenhum jogador de xadrez que entregue a sua rainha de mão beijada. No caso em voga, citado no começo desse artigo, a minha reclamação foi porque não gostei de fazer o papel de peão num determinado jogo de xadrez corporativo. Hoje, entendo que aquele meu ex-gerente atuava como um cavalo e aqueles que conhecem os movimentos que faz um cavalo no jogo de xadrez sabem que este ocupa muitas casas fora do alcance dos seus adversários. Cabe a mim, exclusivamente, agir para não ser sempre o peão a ser sacrificado nas próximas partidas de um jogo corporativo. O processo de mudança ao qual me refiro nada tem que ver como atitudes revanchistas. Ao contrário do que pode parecer esse artigo, quando citam experiências negativas, o processo de mudança é interno, gradual e constante, porque necessita de internalização de novos conceitos, dentre eles o de aceitação das nossas limitações. O ser humano está em contínuo processo evolutivo e mudanças são importantes para garantir a sua sobrevivência, seja ela no mundo animal ou, nesse caso, no mundo corporativo. Comece mudando sua visão idílica do trabalho. Procure ser alguém que escuta mais, fala menos (low profile) e age não apenas proativamente, se antecipando às jogadas nesse tabuleiro empresarial, mas, sobretudo, descobrindo quem é que move os jogadores e não apenas os que atuam fazendo o papel de cavalos, torres ou bispos. A rainha também pode ser sacrificada nesse jogo, mas o importante é preservar o rei. Descubra quem preserva o rei e seus dias de peão ficarão apenas como lembranças do passado.

Em tempo: Para completar sua leitura sobre esse tema, não deixe de ler também “O Jogo da Manipulação” escrito pela brilhante escritora e blogueira Jackie Freitas do Blog Fênix – Vidas que Renascem, publicado no também excelente Blog Casos e Coisas da Bonfa, da minha amiga Kátia Bonfadini.

Gostou? Aplausos!

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Discussion

10 Responses to “Tabuleiro Corporativo”

  1. Herval,

    Peões ou não, somos obrigados a nos atirarmos na vida em busca de algum ou algo que deixamos de fazer ou aprender, para não ficarmos para trás.
    Participamos do jogo do tabuleiro, nos distribuímos em cada posição que nos determinaram, mas nunca deixamos e nem podemos deixar transparecer que estamos acomodados naquela casa do tabuleiro. Basta uma modificação, uma jogada para um futuro melhor, você vai alcançar o seu objetivo. Você tem que lembrar que não esta sozinho nesta empreitada, mas sim, fazendo parte de uma corporação de elementos chaves nos quais dividem responsabilidades e objetivos num só foco.
    Ou você participa do processo corporativista ou você poderá ser um profissional completamente anômalo ao processo.

    João Bosco

    Posted by jbgm1945 | 28/06/2011, 18:23
  2. Tio,

    Infelizmente ainda existe dentro das organizações uma relação de troca: o corporativismo brasileiro ainda continua a dar as cartas por interesse das partes que dele se valem e nele se escudam em mantê-lo vivo.

    France

    Posted by France | 28/06/2011, 23:02
  3. Entenda como é o jogo e um dia será o Rei!
    Abração

    Posted by Fernando Camelier | 29/06/2011, 15:39
    • Caro amigo LF,

      Na verdade, o meu real objetivo nunca foi ser o "rei". O que me choca, de verdade, é ver o valor que as pessoas dão aos seus objetivos pessoais em detrimento àqueles coletivos.
      Abraços,
      Herval

      Posted by blogdoherval | 30/06/2011, 12:22
  4. Oi meu amigo!
    Nossa! Incrível a nossa sintonia…rsrs…porque escrevi um texto sobre xadrez, peões, jogos da vida… A analogia foi a mesma e acho que, de certa forma, a mensagem também… Vejo do mesmo modo, meu querido, não apenas no mundo corporativo, mas na vida como um todo… Podemos escolher se queremos ser peões nesse jogo ou se queremos nós, manusear as peças do nosso próprio jogo! (Depois te mando o texto…rsrs…. pra você ver a sintonia!).
    Bem… fico feliz que esteja pegando o "espírito" da jogada e que as peças estejam em seus lugares, cada uma exercendo o seu papel no jogo. Abandonemos o velho que há em nós, amigo… e pensemos em novas formas de ver o jogo! Quem sabe não sejamos reis e rainhas num tabuleiro maior, participando de uma jogada melhor?
    Grande beijo, de sua amiga e eterna admiradora!
    Jackie

    Posted by JackieFreitas | 29/06/2011, 18:14
    • Querida amiga Jackie,

      Sim, eu sei, faz tempo que estamos em sintonia de almas. Quero ler seu brilhante texto, como sempre.
      Espero ter boas novas, em breve.
      Grande beijo e obrigado pelo carinho e admiração que são recíprocos,
      Herval

      Posted by blogdoherval | 30/06/2011, 12:19
  5. Herval, que otimo conselho e especialmente ler as suas conclusoes. Eu penso que estamos com miopia para muitos fatores de nossas vidas e isso causa um atraso. Sabe, recentemente eu li um comentario barbaro, de alguem que pouco conheço, porém me fez pensar bastante. Eu estava dizendo a ele, o que muitos repetem, que "santo de casa não faz milagre'. Porque minha mãe fala muitos idiomas, o nato é o alemão e jamais me ensinou, muito menos incentivou, hoje seria importante para eu obter um melhor trabalho. Ele disse e perguntou: "- Eu não aprendi portugues com ninguem, eu quis e eu corri atras. Por que voce não fez por si?"
    A verdade, não contei a ele, que nunca tive dinheiro suficiente para pagar cursos extras, foi um esforço fora do normal para ao menos fazer as faculdades. Eu sempre desejei, mas não consegui por falta de dinheiro. Eu poderia, como tentei, estudar sozinha, mas alemão não é assim tão facil. Hoje sei alguma coisa, mas não o que realmente gostaria. Só que é fato, devemos correr atrás – na medida do possível.

    beijos

    Posted by Sissym | 07/07/2011, 18:03
    • Querida Simone,

      A minha resposta ao seu comentário de certa forma já foi feita por você. Todos nós enfrentamos algum de tipo de dificuldade ao longo da vida. O que faz realmente a diferença é COMO enfrentamos essas dificuldades. A palavra ATITUDE está em moda, mas não pode ser apenas um \”mantra\” e sim a ação ou ações que vamos ter que tomar para mudar aquilo que nos causa desconforto. Pelo pouco que te conheço eu muito te admiro. Você é uma grande mulher; uma vencedora, que precisa acreditar nessa verdade que vos falo.

      Meu carinho por ti,

      Herval

      Posted by Herval Candido | 08/07/2011, 11:20
  6. Gosto muito dessa analogia, muito bom o texto. Valeu! abs,
    Eli

    Posted by elirodrigues | 17/07/2011, 16:11

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